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Lua Adversa (Cecília Meireles)

Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...).
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

(Cecília Meireles)



Mensagem a um desconhecido

Teu bom pensamento longínquo me emociona.
Tu, que apenas me leste,
acreditaste em mim, e me entendeste profundamente.

Isso me consola dos que me viram,
a quem mostrei toda a minha alma,
e continuaram ignorantes de tudo que sou,
como se nunca tivessem me encontrado.

(Cecília Meireles)


Cecília Meireles (1901-1964) é, sem sombra de dúvida, uma das maiores poetisas (ou, para quem preferir, uma das maiores poetas) da língua portuguesa. Leio Cecília desde criança, e ela foi um dos autores que fizeram nascer em mim esse amor pela Poesia, e um dos que me inspiraram para tentar começar minha própria produção poética.
Colhi o poema acima no livro "Cecília de Bolso - Uma antologia poética", da editora L&PM Pocket. Este livro é ótimo para quem quiser conhecer a obra da autora, porque conta com uma vasta seleção de escritos dela (157 poemas), e os preços das obras da L&PM Pocket costumam sair bem em conta.
O exemplar desse livro que está na minha estante foi presente do meu amigo Emídio. Obrigada, Emídio, você acertou em cheio com o presente! :)
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